Página inicial / Cibersegurança / Os erros mais comuns no Zero Trust (e como evitá-los)

Os erros mais comuns no Zero Trust (e como evitá-los)

A young man, analyzing trends on a tablet, in a digital marketing workspace

O modelo Zero Trust ganhou espaço nas estratégias de cibersegurança por partir de uma premissa realista. Em vez de assumir que tudo dentro da rede corporativa é confiável, ele adota o princípio “nunca confie, sempre verifique”. Portanto, conhecer os erros mais comuns no Zero Trust é o primeiro passo para uma implementação que realmente funcione.

O Gartner estima que, até 2028, metade das organizações globais terá adotado posturas de governança baseadas em Zero Trust, impulsionadas, em grande parte, pelo volume de dados sintéticos, outputs de modelos e conteúdo gerado por inteligência artificial que entram nos pipelines corporativos sem rastreabilidade de origem, quebrando as premissas de confiança tradicionais.

Então, se a sua empresa está planejando implementar Zero Trust, ou já começou e sente que algo não está funcionando como deveria, este conteúdo é para você. Leia também: Zero trust orientado por IA: como analytics e automação elevam a segurança – Belago

1. Tratar o Zero Trust como um produto, não como uma estratégia

Muitas empresas acreditam que basta adquirir uma solução de mercado para “ter Zero Trust”. Compram uma ferramenta, instalam e consideram o trabalho feito.

Esse pensamento é problemático porque o Zero Trust é uma filosofia de segurança. Ele exige mudanças em processos, políticas e cultura, não apenas na tecnologia. Nenhuma ferramenta, por mais robusta que seja, entrega Zero Trust sozinha.

Para evitar esse caminho, defina sua estratégia antes de avaliar qualquer solução:

  • O que precisa ser protegido?
  • Quem acessa o quê?
  • Quais são os maiores vetores de risco no seu ambiente?

Depois, a tecnologia vem para suportar essa estratégia.

2. Tentar implementar tudo de uma vez

Empresas animadas com o modelo frequentemente tentam migrar toda a infraestrutura para Zero Trust em um único projeto, o que pode gerar caos operacional e resistência interna.

A alternativa mais eficaz é uma abordagem faseada. Então, comece pelos ativos mais críticos: dados sensíveis, sistemas financeiros e acessos privilegiados. Valide os resultados em cada etapa antes de expandir o escopo. Afinal, pequenas vitórias constroem confiança interna e ensinam o que funciona na sua organização.

3. Ignorar identidades de máquinas e serviços

Grande parte das implementações concentra atenção nos usuários humanos: autenticação multifator, controle de acesso baseado em função, revisão de permissões. Os acessos de sistemas, APIs e serviços automatizados, contudo, ficam em segundo plano.

Em ambientes modernos, uma parcela significativa do tráfego na rede vem de máquinas. O risco está na ausência de workload identity bem definida: service accounts mal configuradas em ambientes AWS ou GCP, secrets hardcoded em repositórios e tokens sem escopo adequado são vetores de ataque frequentemente ignorados e facilmente exploráveis.

Para corrigir esse cenário, inclua identidades não humanas no escopo do programa de Zero Trust desde o início. Gerencie credenciais de serviços, tokens de API e certificados com a mesma política aplicada a usuários. Em ambientes de cloud e Kubernetes, adote práticas de workload identity nativas da plataforma e automatize a rotação de credenciais sempre que possível.

4. Negligenciar a experiência do usuário

Na busca por controles rigorosos, equipes de segurança criam fluxos de autenticação tão complexos que os próprios colaboradores passam a contorná-los, encontrando brechas ou adotando soluções não autorizadas.

Segurança que prejudica a produtividade não é seguida. O elo mais fraco quase sempre é humano, e a fricção excessiva aumenta esse risco.

A solução está em projetar controles que sejam seguros e usáveis ao mesmo tempo. A autenticação adaptativa, por exemplo, eleva as barreiras apenas quando o contexto indica risco, como um login fora do horário habitual ou de uma localização desconhecida, por exemplo. Ou seja, envolver as áreas de negócio no design dos fluxos também ajuda a equilibrar segurança e operação.

5. Não definir o que é “confiável” com clareza

Algumas empresas declaram que adotam Zero Trust, mas não documentam de forma clara quais critérios determinam se um acesso será permitido ou negado.

Sem políticas bem definidas, as decisões de acesso ficam inconsistentes. Esse vácuo abre espaço tanto para permissões excessivas, que ampliam a superfície de ataque, quanto para bloqueios desnecessários que prejudicam o negócio.

Nesse sentido, dois pilares técnicos precisam estar explícitos na implementação:

Princípio de least privilege: cada usuário ou sistema acessa apenas o mínimo necessário para executar sua função;

Microsegmentação da rede: divide o ambiente em zonas isoladas para limitar o movimento lateral em caso de comprometimento.

Além disso, documente as políticas de acesso com base em contexto:

  • Quem é o usuário?
  • Qual dispositivo usa?
  • De onde acessa?
  • Qual recurso quer alcançar e em qual horário?

Por fim, revise essas políticas regularmente, sobretudo após mudanças estruturais na empresa, como aquisições, fusões ou reestruturações de times.

6. Subestimar a visibilidade e o monitoramento contínuo

Implementar controles de acesso robustos sem investir em monitoramento contínuo é uma das falhas mais comuns em projetos de Zero Trust.

O modelo não representa um estado final, mas sim um processo de continuous authorization. Por isso, autenticar na entrada não é suficiente: a sessão precisa ser reavaliada continuamente com base no comportamento e no contexto. Sem essa visibilidade, ameaças internas e movimentações laterais de atacantes passam despercebidas por tempo demais. Para estruturar esse monitoramento, implante soluções de SIEM/SOAR para correlacionar e responder a eventos em tempo real. Adote também o UEBA (User and Entity Behavior Analytics) para estabelecer baselines de comportamento normal e detectar desvios automaticamente, seja de um usuário acessando sistemas fora do seu perfil habitual, seja de um serviço gerando tráfego anômalo.

7. Deixar o alinhamento executivo para depois

Conduzir a iniciativa de Zero Trust de forma isolada, sem o apoio formal da liderança e sem conectar o projeto aos objetivos do negócio, é outro erro no Zero Trust que compromete resultados.

Iniciativas de segurança sem patrocínio executivo costumam perder prioridade no orçamento, enfrentar resistência das áreas de negócio e não ter autoridade suficiente para exigir mudanças.

Portanto, a abordagem correta é apresentar o Zero Trust como uma iniciativa de negócio, não apenas de TI. Conecte os riscos endereçados a impactos concretos: continuidade operacional, conformidade regulatória e proteção de dados de clientes.

Em conclusão, adotar o Zero Trust com efetividade exige clareza estratégica, uma abordagem gradual e o comprometimento de toda a organização.

Os erros listados aqui são comuns justamente porque parecem razoáveis quando acontecem. Por isso, reconhecê-los com antecedência fundamental. Leia também: SOC inteligente: o poder da IA e da automação na cibersegurança – Belago

Se a sua empresa está no início dessa jornada ou quer revisar o que já foi feito, conte com nossos especialistas para acelerar o processo.

Compartilhe:
Escrito por Belago Brasil

Olá! Este artigo foi pensado, desenvolvido
e escrito pela equipe de especialistas da Belago. Esperamos que você tenha gostado :)

Conteúdo relacionado

Dúvidas? Fale com a gente!